O mundo inteiro cabia no teu sorriso
Quando entraste no meu dia sem aviso.
No teu olhar a ver a vida a vaguear,
Perdi-me na criança que outrora
Vagueou irrequieta dentro de mim.
Em compassadas e longínquas primaveras
Cansei as tardes em demanda de quimeras,
Sem outro sentido que o de serem só minhas,
Por onde deambulas tu agora
E nelas corres pelas tardes agora tuas.
Com as tuas mãos que colhem brisas ancestrais
E arriscam fisgas aos pardais,
Esculpo a pedra tosca da memória
E a minha face de menino,
Deslumbra-se de novo com a vida.
Transbordantes pelas margens, as nascentes
De ribeiros de sonhos sem poentes,
Impediam que o futuro alguma vez acontecesse.
Que afinal tu me trazes sem querer
E sem saber, que já não sonho.
E o meu corpo tão curvado pela alma pesarosa
Que na poesia já só consegue ver prosa,
Enlevado nos teus risos sem lembrança,
Salta muros e veredas, e recorda
Tudo quanto já não pode vir a ser.
O Nostálgico
Wednesday, April 2, 2008
Wednesday, March 26, 2008
Possa eu amar-te para sempre...
Possa eu amar-te para sempre...
Diluir-me em ti suavemente
Como névoa na neblina.
Minha alma clandestina,
Aninhada em ti eternamente.
Confundir o teu destino com o meu.
Perpétuo eco dos teus passos,
Fracasso dos teus fracassos
E nas vitórias teu Orpheu.
Se para sempre seja pouco,
Possa amar-te mais ainda...
Que a tua beleza não finda
E o meu amor tão-pouco.
O Nostálgico
Diluir-me em ti suavemente
Como névoa na neblina.
Minha alma clandestina,
Aninhada em ti eternamente.
Confundir o teu destino com o meu.
Perpétuo eco dos teus passos,
Fracasso dos teus fracassos
E nas vitórias teu Orpheu.
Se para sempre seja pouco,
Possa amar-te mais ainda...
Que a tua beleza não finda
E o meu amor tão-pouco.
O Nostálgico
Thursday, February 7, 2008
Sentidos Figurados
Figuras aparentes
do que esperam
que eu seja.
Palavras decalcadas
do que querem
que eu diga.
Ideias copiadas
do que pensam
que eu penso.
Pantominas ocas
do que exigem
de mim.
Sentidos figurados.
Por instinto...
Em que minto
tanto e tanto,
até que garanto
que os sinto.
O Nostálgico
do que esperam
que eu seja.
Palavras decalcadas
do que querem
que eu diga.
Ideias copiadas
do que pensam
que eu penso.
Pantominas ocas
do que exigem
de mim.
Sentidos figurados.
Por instinto...
Em que minto
tanto e tanto,
até que garanto
que os sinto.
O Nostálgico
Friday, February 1, 2008
J
O teu abismo particular.
A noite onde uma noite todas as noites vão acabar.
A dor sem dor depois de te doer a saltar.
E eu aqui suspenso...
O Nostálgico
A noite onde uma noite todas as noites vão acabar.
A dor sem dor depois de te doer a saltar.
E eu aqui suspenso...
O Nostálgico
Tuesday, January 29, 2008
Prefácio de Ti
Quero-te e não te posso ter.
Tenho-te e não te posso querer.
E vou assim inconsciente sendo um,
Que consciente tenta ser um outro.
Presa e predador do meu desejo
de não te poder desejar.
Semente adulta nado-morta
ardendo em flor,
sem poder desabrochar.
E fecho os olhos para ver os teus,
que os meus abertos não conseguem ver.
Alvorada grandiosa que anoitece
Antes de ser.
Prefácio eterno de te querer,
Com que sacio a fome
De jamais te poder ter...
O Nostálgico
Tenho-te e não te posso querer.
E vou assim inconsciente sendo um,
Que consciente tenta ser um outro.
Presa e predador do meu desejo
de não te poder desejar.
Semente adulta nado-morta
ardendo em flor,
sem poder desabrochar.
E fecho os olhos para ver os teus,
que os meus abertos não conseguem ver.
Alvorada grandiosa que anoitece
Antes de ser.
Prefácio eterno de te querer,
Com que sacio a fome
De jamais te poder ter...
O Nostálgico
Friday, January 18, 2008
Perdoa-me
Tuesday, January 15, 2008
Deixem-me Dormir
Não existe nada
que me atormente tanto,
como sentir a chegada
da hora que me levanto.
Antes ficar enfiado,
dormente na minha cama.
Que assistir acordado
a mais um acto deste drama.
Fecho os olhos com firmeza.
Disso ainda sou capaz...
E peço ao relógio de mesa
Que funcione para trás.
Já disse que não me chamem!
Calem-me essa goela.
Hoje não me sinto bem...
E fechem essa janela.
A vida piora sem mim.
Não preciso de lá estar.
Quando chegar ao fim,
Venha alguém pra me acordar.
O Nostálgico
que me atormente tanto,
como sentir a chegada
da hora que me levanto.
Antes ficar enfiado,
dormente na minha cama.
Que assistir acordado
a mais um acto deste drama.
Fecho os olhos com firmeza.
Disso ainda sou capaz...
E peço ao relógio de mesa
Que funcione para trás.
Já disse que não me chamem!
Calem-me essa goela.
Hoje não me sinto bem...
E fechem essa janela.
A vida piora sem mim.
Não preciso de lá estar.
Quando chegar ao fim,
Venha alguém pra me acordar.
O Nostálgico
Leito de Mar
Velejei no marulhar dos teus cabelos.
Em marés que trazem ondas
que guardaste só pra mim,
Abandonei-me...
Naveguei pelos teus seios,
dedo após dedo,
lábio ante lábio, mergulhei
no teu fecundo e virgem mar de Primavera.
Oceanos de suor,
mistério nas nossas bocas salgado,
naufraguei,
na vertigem do momento
de seres minha.
Os nossos braços,
sargaços,
desenhavam corpos extenuados,
amantes desenfreados
nas profundezas de amar.
O meu olhar ofegante
ainda te viu azular
na crista do horizonte
enquanto despertava
neste leito de mar.
Em marés que trazem ondas
que guardaste só pra mim,
Abandonei-me...
Naveguei pelos teus seios,
dedo após dedo,
lábio ante lábio, mergulhei
no teu fecundo e virgem mar de Primavera.
Oceanos de suor,
mistério nas nossas bocas salgado,
naufraguei,
na vertigem do momento
de seres minha.
Os nossos braços,
sargaços,
desenhavam corpos extenuados,
amantes desenfreados
nas profundezas de amar.
O meu olhar ofegante
ainda te viu azular
na crista do horizonte
enquanto despertava
neste leito de mar.
O Nostálgico
Monday, January 14, 2008
Penumbra
Aqui, penumbra!
Quedamo-nos incandescentes
e opacos
na disbulia citadina.
Adolescestes senis,
Observamos impotentes
as palavras que nos obrigam a dizer.
Cavernas...
Poços inteiros de silêncio dissimulado.
Paredes meias com o nada.
Teias onde aracnídeos nossos egos acasulam.
Quedamo-nos sim, joelhos juntos e incertos,
trémulos pelas ruas...
aos milhões,
percorremos sonâmbulos pelo céu recortado a urbe.
Em alvoroço,
passamos incessantes pelos dias.
Deixamo-nos,
calibrar
para não ver as nossas vidas.
Deixamo-nos,
Remexer corpo adentro por mãos sábias
e serenamente inúteis
baixamos as cabeças em uníssono.
Gavetas,
tão fechadas.
Milhões.
Sacudimo-nos inteiros
sob nuvens baixas,
ruminantes,
não querendo saber porque viemos.
Distâncias.
Carentes de tudo o que o que não nos falta.
Vazios.
Tivessemos nós a coragem...
Mas mergulhamos rostos na penumbra...
O Nostálgico
Quedamo-nos incandescentes
e opacos
na disbulia citadina.
Adolescestes senis,
Observamos impotentes
as palavras que nos obrigam a dizer.
Cavernas...
Poços inteiros de silêncio dissimulado.
Paredes meias com o nada.
Teias onde aracnídeos nossos egos acasulam.
Quedamo-nos sim, joelhos juntos e incertos,
trémulos pelas ruas...
aos milhões,
percorremos sonâmbulos pelo céu recortado a urbe.
Em alvoroço,
passamos incessantes pelos dias.
Deixamo-nos,
calibrar
para não ver as nossas vidas.
Deixamo-nos,
Remexer corpo adentro por mãos sábias
e serenamente inúteis
baixamos as cabeças em uníssono.
Gavetas,
tão fechadas.
Milhões.
Sacudimo-nos inteiros
sob nuvens baixas,
ruminantes,
não querendo saber porque viemos.
Distâncias.
Carentes de tudo o que o que não nos falta.
Vazios.
Tivessemos nós a coragem...
Mas mergulhamos rostos na penumbra...
O Nostálgico
Friday, January 11, 2008
Eu Sou Tantos
Eu sou tantos...
Mares inteiros pedaços d’alma.
Céus imensos por saber.
Fico só, no meio de tantos ser...
Por todos ser não sou vivalma
Eu sou tantos...
Voos eternos, deixar-me ir...
Lugares cá dentro por mapear.
Nunca chego com desejo de ficar,
Nunca penso chegar a partir.
Eu sou tantos...
Espaços. Tempos. Navegantes
Que anseiam por naufrágio.
Universos reféns de seu adágio,
Libertados num destino de infantes.
Eu sou tantos...
Versos soltos, pensamentos.
Livros tão à espera de nascer.
Suas folhas, vagens, a escrever
As minhas vidas, meus momentos.
Eu sou tantos...
Infinitos rios a saltar margens
Improváveis fugitivos d’ Alcatraz
Só me deixo a mim pra trás,
Quando me torno em viagens.
Eu sou tantos!
Milhões e milhões de mim
Sou tão grande quantidade
Que quando busco a verdade
Do que sou, sou apenas um afim.
Eu sou tantos
Poemas que ainda não escrevi...
O Nostálgico
Mares inteiros pedaços d’alma.
Céus imensos por saber.
Fico só, no meio de tantos ser...
Por todos ser não sou vivalma
Eu sou tantos...
Voos eternos, deixar-me ir...
Lugares cá dentro por mapear.
Nunca chego com desejo de ficar,
Nunca penso chegar a partir.
Eu sou tantos...
Espaços. Tempos. Navegantes
Que anseiam por naufrágio.
Universos reféns de seu adágio,
Libertados num destino de infantes.
Eu sou tantos...
Versos soltos, pensamentos.
Livros tão à espera de nascer.
Suas folhas, vagens, a escrever
As minhas vidas, meus momentos.
Eu sou tantos...
Infinitos rios a saltar margens
Improváveis fugitivos d’ Alcatraz
Só me deixo a mim pra trás,
Quando me torno em viagens.
Eu sou tantos!
Milhões e milhões de mim
Sou tão grande quantidade
Que quando busco a verdade
Do que sou, sou apenas um afim.
Eu sou tantos
Poemas que ainda não escrevi...
O Nostálgico
Procuro-te!
Procuro-te!
Desesperado,
ordenei uma rusga ao meu coração,
mas acabaram de me informar
que não te encontraram.
Amores cinzentos, turbulentos,
Cicatrizes, meretrizes
e paixões devassas, embora escassas
era tudo o que restava
neste salobro alçapão.
De ti nem um sinal, porque afinal
partiras, logo que conseguiras
uma artéria para longe da miséria
em que eu tinha transformado
a tua inocente paixão.
De ti, ainda assim, marcado em mim
ficou apenas o teu olhar, a sussurrar
a despedida, mão dorida
num aceno, amarga sentença
de infinita solidão.
Procuro-te!
Procuro-te até aos limites desta certeza de que não te vou encontrar.
Arrependido, dentro de mim tudo chora.
Alienado, fora de mim tudo é passado.
O Nostálgico
Desesperado,
ordenei uma rusga ao meu coração,
mas acabaram de me informar
que não te encontraram.
Amores cinzentos, turbulentos,
Cicatrizes, meretrizes
e paixões devassas, embora escassas
era tudo o que restava
neste salobro alçapão.
De ti nem um sinal, porque afinal
partiras, logo que conseguiras
uma artéria para longe da miséria
em que eu tinha transformado
a tua inocente paixão.
De ti, ainda assim, marcado em mim
ficou apenas o teu olhar, a sussurrar
a despedida, mão dorida
num aceno, amarga sentença
de infinita solidão.
Procuro-te!
Procuro-te até aos limites desta certeza de que não te vou encontrar.
Arrependido, dentro de mim tudo chora.
Alienado, fora de mim tudo é passado.
O Nostálgico
Tuesday, December 11, 2007
Caçatempo
Lá vou eu!
Aberto e pleno,
plano por entresobre imagens.
Subitariamente, encalho.
Espalho... um grito lento,
seco e sacro.
E lacro as portas do universo.
Agora que fechado o espaço,
laço o tempo, contratempo,
encaixo a besta, contrabaixo
e rumo ao mundo, me relaxo.
Acorrento o animal,
intemporal, omnipresente.
Eternamente enjaulado
numa fracção de presente.
O Nostálgico
(Nostalgia de 1985)
Aberto e pleno,
plano por entresobre imagens.
Subitariamente, encalho.
Espalho... um grito lento,
seco e sacro.
E lacro as portas do universo.
Agora que fechado o espaço,
laço o tempo, contratempo,
encaixo a besta, contrabaixo
e rumo ao mundo, me relaxo.
Acorrento o animal,
intemporal, omnipresente.
Eternamente enjaulado
numa fracção de presente.
O Nostálgico
(Nostalgia de 1985)
Monday, December 10, 2007
Falésias
Construo falésias de onde possa ver o mar...
Penhascos feitos de imaginação.
Imponentes guardiões
Do meu pensamento alado.
Sobrevoo a vastidão da minha ausência
E compreendo enfim a tua,
Quando volto com as mãos cheias de vento
E o corpo tão cansado.
A soletrar silêncios permaneço eterno,
Porém fugaz se não te souber aqui.
Construo falésias de onde possa ver o mar,
De coração destroçado.
O Nostálgico
Penhascos feitos de imaginação.
Imponentes guardiões
Do meu pensamento alado.
Sobrevoo a vastidão da minha ausência
E compreendo enfim a tua,
Quando volto com as mãos cheias de vento
E o corpo tão cansado.
A soletrar silêncios permaneço eterno,
Porém fugaz se não te souber aqui.
Construo falésias de onde possa ver o mar,
De coração destroçado.
O Nostálgico
Thursday, December 6, 2007
Nostálgico #1
"De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
..."
Fernando Sabino
Simples, belo (como todas as coisas simples) e suficientemente "nostálgico" para constar aqui.
O Nostálgico
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
..."
Fernando Sabino
Simples, belo (como todas as coisas simples) e suficientemente "nostálgico" para constar aqui.
O Nostálgico
Não suporto a poesia
Não suporto a poesia.
Deles...
Irrita-me a sua maneira,
Sobranceira
De rimar.
Enfastiam-me os seus versos
Controversos
A chiar.
Cheios de salamaqueques,
Como Queques
A snobar (... sim, sei que a palavra não existe.
Deles...
Irrita-me a sua maneira,
Sobranceira
De rimar.
Enfastiam-me os seus versos
Controversos
A chiar.
Cheios de salamaqueques,
Como Queques
A snobar (... sim, sei que a palavra não existe.
Mas perdoem este chiste,
sabem onde quero chegar.)
Seu narciso ego que fala,
Alcavala.
A monologar.
Não recuso a poetanásia.
Deles...
O Nostálgico
Tuesday, December 4, 2007
Fim de tarde, fim de dia
Fim de tarde, fim de dia.
Escassa a luz e o meu corpo,
Todo ele é pensamento
ansioso, vago e lento,
Em tormentosa melodia.
Sombreados já os espaços,
Escureçe a minha alma
sobre os campos, na agonia.
Fim de tarde, fim de dia
Do afastar dos teus passos.
Impotentes, os meus olhos
aguam-se em sofrimento.
Querer-te em silêncio é vão
Mas calar meu coração
É perder-te nos meus sonhos.
Rarefaz-se o sol poente
Que foi ver-te p'la janela.
Por momentos foste minha
E amanhã pela tardinha,
Serás minha novamente.
Escassa a luz e o meu corpo,
Todo ele é pensamento
ansioso, vago e lento,
Em tormentosa melodia.
Sombreados já os espaços,
Escureçe a minha alma
sobre os campos, na agonia.
Fim de tarde, fim de dia
Do afastar dos teus passos.
Impotentes, os meus olhos
aguam-se em sofrimento.
Querer-te em silêncio é vão
Mas calar meu coração
É perder-te nos meus sonhos.
Rarefaz-se o sol poente
Que foi ver-te p'la janela.
Por momentos foste minha
E amanhã pela tardinha,
Serás minha novamente.
O Nostálgico
Prisioneiro
Sou eternamente teu, carcereira!
Prisioneiro exangue dos teus lábios,
esfomeado...
Agrilhetado nos teus beijos.
Condenado a prisão perpétua
pelo tribunal do teu regaço,
quando nele um dia
descansei o pensamento.
Não desejo a liberdade...
O Nostálgico
Prisioneiro exangue dos teus lábios,
esfomeado...
Agrilhetado nos teus beijos.
Condenado a prisão perpétua
pelo tribunal do teu regaço,
quando nele um dia
descansei o pensamento.
Não desejo a liberdade...
O Nostálgico
Nostalgia #0
As palavras são a guarda avançada da alma...
Abrem caminho para que os sentimentos possam brotar livres e profundos.
O Nostálgico
Abrem caminho para que os sentimentos possam brotar livres e profundos.
O Nostálgico
Monday, December 3, 2007
Manifesto
Às vezes temos que parar.
Seja quando apenas vemos portas
fechadas,
seja quando a nossa vida se transforma
ela própria numa porta,
interminável
e nós fechados, dentro dela...
Parar.
Parados deixar que outros passem frenéticos.
Alegres por serem tristes...
Viagens espiraladas no inconsciente labirinto da sua existência.
Vegetar... Pela irrelevância dos dias que faltam e pelas noites
que passam tão velozes que não chegam a passar.
Inamovível dentro desta porta opaca e minha.
Apertado assim,
contra ela tenho paz.
Não!
Não quero vitórias para não querer insidiosas guerras.
Nem sonhos que me evoquem, quando os sonho,
a cáustica realidade.
Quero ficar, simplesmente.
Quero parar um pouco, se me deixarem parar
Ou para sempre, se não.
Resistir até, se conseguir, à tentação
de espreitar acocorado,
pelo buraco da fechadura do futuro.
Ancorar a alma neste fundo lodaçento
que é o tempo neste muro.
Parar.
Parar o sangue de pulsar...
e dar-lhe tréguas.
Dar-lhe um canto para ficar,
antes de soçobrar,
às portas do fim do mundo.
O Nostálgico
Seja quando apenas vemos portas
fechadas,
seja quando a nossa vida se transforma
ela própria numa porta,
interminável
e nós fechados, dentro dela...
Parar.
Parados deixar que outros passem frenéticos.
Alegres por serem tristes...
Viagens espiraladas no inconsciente labirinto da sua existência.
Vegetar... Pela irrelevância dos dias que faltam e pelas noites
que passam tão velozes que não chegam a passar.
Inamovível dentro desta porta opaca e minha.
Apertado assim,
contra ela tenho paz.
Não!
Não quero vitórias para não querer insidiosas guerras.
Nem sonhos que me evoquem, quando os sonho,
a cáustica realidade.
Quero ficar, simplesmente.
Quero parar um pouco, se me deixarem parar
Ou para sempre, se não.
Resistir até, se conseguir, à tentação
de espreitar acocorado,
pelo buraco da fechadura do futuro.
Ancorar a alma neste fundo lodaçento
que é o tempo neste muro.
Parar.
Parar o sangue de pulsar...
e dar-lhe tréguas.
Dar-lhe um canto para ficar,
antes de soçobrar,
às portas do fim do mundo.
O Nostálgico
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